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Novo Código Florestal Brasileiro: A Esperança Agora É o Senado ou a Presidência

No dia da votação do projeto do novo Código Florestal Brasileiro, não almocei e quase não jantei, apenas para não desviar minha atenção da TV-Câmara e arriscar-me a perder alguma fala de qualquer dos deputados. Minha esperança era de que prevalecesse o bom senso e o interesse nacional, acima dos interesses particulares ou partidários.

Infelizmente, isso não aconteceu e aprovaram o texto defendido pela bancada ruralista (a segunda maior bancada do Congresso), que anistia as multas aos desmatadores, reduz as APPs (áreas de preservação permanente), modifica - para pior - as áreas de reserva legal e reduz, embora com exceções, as áreas de proteção de margens de rios, de 30 para 15 metros. E ainda tiveram o descalabro de dizer que isso "foi um avanço" em termos de legislação ambiental. Chega a ser um deboche! Acham que não têm de se preocupar com o povo nessas questões, porque ele nada vê e nada entende. Depois de conseguirem o que querem e de serem bem remunerados pelos patrocinadores que compraram seus votos, dão uma justificativa enganosa para o que aprovaram, fazendo parecer que era o melhor para o país. É assim que funciona e sempre funcionou.

A pergunta que se tem de fazer é: "Por que essas coisas acontecem com tanta freqüencia e intensidade no Brasil? "Ah, mas isso ocorre em todos os países e é natural na atividade legislativa", dirão alguns. Pode até ser, mas é apenas uma meia verdade porque ainda que o "lobby" político exista em nível mundial, aqui a sua liberdade e influência são muito maiores e sequer são reguladas e muito menos, fiscalizadas. Não adianta tentarmos nos enganar, fingindo que o "lobby" não existe ou existe mas não chega a influenciar os políticos. Sabemos que não é assim. O que não sabemos é conviver com ele e controlá-lo para não ser danoso. Nos Estados Unidos e em muitos países o lobby existe, é reconhecido, e até permitido, mas é severamente controlado e sujeito a regras. Já aqui...

Por outro lado, o nosso sistema político é falho, antiquado e permissivo, especialmente preparado para facilitar a ocorrência de casuísmos, lobbies, corrupção e impunidades. E os nossos políticos sabem disso e não têm o mínimo interesse em aperfeiçoar os regiments internos da Câmara e do Senado. Mudar para quê? Só se for para enganar o povo e facilitar ainda mais as coisas para os parlamentares.

Em resumo, o que vimos na votação do projeto do novo Código Florestal Brasileiro foi a vitória do lobby dos interesses dos ruralistas e do agronegócio, em detrimento da conservação da natureza e da qualidade de vida das pessoas do cerrado e da região amazônica. As queimadas e os desastrosos desmatamentos vão continuar, talvez até com mais intensidade, os biomas e os solos vão perder suas caracteríusticas naturais, áreas de desertificação vão se formar, rios vão secar por assoreamento, e a fauna a flora e o povo que se dane, porque o que importa é o lucro e o progresso, que não deve ser detido, ainda que o preço a pagar seja alto. Este é o pensamento dos homens que querem esse Código Florestal, que está preste a ser aprovado.

Ainda existe esperança para corrigir o erro?

Sim, são tênues mas existem, basta querer e ter coragem, acima de tudo. O projeto ainda terá de passar pelo Senado e pela sanção da Presidente Dilma. Este assunto vem sendo discutido a exatos 12 anos, e não se pode ser apressado agora, só porque um grupo de interessados, que não dão a mínima paraas questões ambientais, querem aprová-lo a toque de caixa.

Sabemos que a nossa presidenta não foi favorável ao texto aprovado, mas os seus aliados foram forçados à derrota, por cederem a pressões de interesses partidários (e talvez até próprios, eis que muitos são também ruralistas e proprietários de terras). Então, resta o Senado e ela própria, porque na Câmara, já foi. Masterão força e coragem suficiente para peitar os poderosos, muitos dos quais, grandes financiadores de campanhas?

Marina Silva, uma aliada de peso

Mesmo sabendo que "compromissos de campanha" costumam ser quebrados por políticos, na maior cara-de-pau, a verdade é que a Presidente Dilma Roussef assumiu o de defender as causas ambientais, o que será lembrado a ela por Marina Silva, que é, incontestavelmente, uma forte liderança nessa áera, respeitada até internacionalmente. Se Dilma confirmar a intenção e aceitar o apoio, o jogo ainda pode ainda pode mudar e ser vencido nos últimos minutos. Vejam, abaixo, a reportagem do Estadão sobre essa intenção de Marina, que fala também sobre a sua desfiliação do PV:
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"Marina critica PV e apoia Dilma contra Código Florestal
A crise envolvendo o PR dentro do Ministério dos Transportes foi um dos temas mais mencionados durante o evento que marcou a saída da ex-senadora Marina Silva e de seus aliados do PV. A ex-candidata à Presidência da República afirmou estar pronta para apoiar a presidente Dilma Rousseff no veto ao projeto do Código Florestal que tramita no Senado e disse esperar que a presidente consiga 'resistir' às práticas do que ela chama de 'velha política'. Para Marina, não há mais como reformar o atual modelo de política brasileira, e sim reinventá-lo. 'Remendar é muito pouco para o tamanho do problema que estamos vivendo no Brasil', disse Marina Silva, na tarde de hoje.
Para anunciar sua desfiliação do PV, Marina convocou uma plenária com simpatizantes e apoiadores de sua campanha à Presidência e com aliados que deixam a legenda para criar um movimento suprapartidário em prol do verde e da cidadania. Durante o evento, o ex-presidente do diretório estadual do PV em São Paulo Maurício Brusadin afirmou que os partidos vivem hoje a decadência e não atendem mais às demandas da sociedade. 'E o PV não é diferente disso', comparou. 'Reconhecemos que o PV, assim como a maioria dos partidos, se divorciaram de vez da sociedade', completou o ex-candidato ao Senado por São Paulo Ricardo Young.
Brusadin colocou a sua antiga legenda no mesmo status do PR e criticou o partido do ex-ministro dos Transportes Alfredo Nascimento por reclamar de sua demissão da pasta. 'Eles não têm vergonha de dizer isso', criticou. O PR também foi alvo de críticas de Young. 'Não podemos mais transigir com isso.'
Em seu discurso, Marina citou o escândalo envolvendo o PR como exemplo de algo que não pode mais ser tolerado na sociedade. 'Não podemos negar a tristeza com a política', lamentou a ex-senadora. 'Os partidos continuam sendo importantes, mas não podemos fechar os olhos para seus desvios.'
A ex-senadora destacou que pretende ajudar Dilma nas discussões no Congresso sobre o novo Código Florestal. Ela lembrou que a presidente assumiu compromisso na campanha de não aprovar nenhum texto que favoreça o desmatamento e, ao ser questionada se estaria otimista em relação ao veto do projeto, Marina desconversou. 'Não estou nem otimista nem pessimista. Estou persistente.' "
          Fonte: O Estadão
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