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Paulo de Tarso, suas "epístolas" e seu papel na divulgação do cristianismo: o que é verdade, o que é mentira?

(Transcrito da comunidade Irreligiosos, em virtude de não ter sido possível fazer a publicação da enquete incorporada. O leitor poderá também, se desejar, comentar diretamente na Comunidade Irreligiosos, clicando no link retromencionado)





Aí está um bom tema para debate, apesar de muitos julgarem irrelevante, por considerarem Paulo um personagem fictício, tal como Jesus de Nazaré. Mas como disse um de nossos colegas, o escritor ateu Alfredo Bernacchi, "é muito mais fácil tentar provar-se a inexistência de Jesus Cristo do que a de Paulo".
De fato, não podemos deixar de concordar com essa inteligente observação do colega irreligioso porque as controvérsias em torno de Paulo estão bem mais equilibradas, eis que os métodos e artifícios utilizados para introduzi-lo na história do cristianismo foram mais sutis e elaborados, no sentido de induzir-se à crença na sua existência e nas cartas a ele atribuídas. Paulo existiu mesmo? E se existiu, todas as suas cartas, constantes do NT, foram mesmo escritas por ele? Ou será que foram somente algumas, sendo as outras falsas? E se existem cartas verdadeiras e falsas, quais são as verdadeiras e quais são as falsas?
Historiadores, teólogos, filósofos, pesquisadores, escritores e exegetas bíblicos desde os mais antigos, como Marcião de Sinope, Fávio Josefo, Suetônio, Tertuliano, Clemente de Alexandria, Orígenes, Sto. Agostinho, Tomás de Aquino... até os mais modernos e contemporâneos, do porte de Bart D. Ehrmann, Tom Harpur, Emílio Bossi, Michel Onfray, John Stott, Sam Harris, Frank R. Zindler, Michael Shermer, para não citar outros, têm opiniões concordantes e conflitantes em seus respectivos grupos, no que diz respeito não só a Paulo, mas à (in)existência de Jesus, que leva a um impasse que, ao final, só permite que cada um dos leitores ou interessados no assunto tirem as suas próprias conclusões ( e as justifiquem, se puderem). Mas numa coisa todos concordam: Paulo, se existiu, jamais conheceu Jesus (tendo este existido ou não) e não poderia autodenominar-se "apóstolo", o 13º apóstolo (igualmente, tendo estes existido ou não).
"Apóstolo", no sentido eclesiástico e segundo define o próprio NT, seria aquele que tivesse convivido com Jesus [não em sonhos e "visões"], recebido seus ensinamentos e por ele tivesse sido comissionado para ensinar outras pessoas a respeito dele e suas pregações. Só por aí se conclui que Paulo jamais poderia ser considerado um "apóstolo", pois não conheceu Jesus e dele só teve uma duvidosa visão (alucinação?) no caminho de Damasco, ocasião em que Jesus teria lhe dado a honrosa missão de divulgar a sua palavra.
Sobre a existência de Jesus e dos seus "12 apóstolos", recomendamos que este tema não seja discutido aqui porque além de uma enquete específica na nossa página de pesquisa, este assunto já foi amplamente debatido em vários outros tópicos, em fóruns e blogs, chegando-se à conclusão de que "o Jesus dos Evangelhos e seus 12 apóstolos  são personagens míticos". Mas aí caberia a pergunta: Ora, se Jesus de Nazaré não existiu, tudo o que se diz de Paulo em relação a Jesus também é falso". Faz sentido e é lógico, mas não é bem assim. E é aqui que vai entrar nossa discussão: Por que o personagem Paulo, a sua história e as suas "epístolas" foram introduzidos no NT, formando mais de 50% do seu corpo? Não poderia o NT reduzir-se apenas aos 4 evangelhos canônicos, sem as cartas de Paulo? Qual o efeito da participação de Paulo na (inexistente) credibilidade do NT?
Um outro aspecto a considerar é que se a intenção era criar um pretenso divulgador para o cristianismo, que supostamente teria tido um contato imaginário com Jesus de Nazaré, este divulgador mais depõe contra a existência de Cristo do que a seu favor, eis que o simples exame das cartas atribuídas a Paulo, escritas antes dos evangelhos, revelam que ele, além de não conhecer Jesus de Nazaré, nada sabia da sua vida e de seus supostos milagres, pois não os menciona em nenhuma delas. Mais que isso: seus ensinamentos, na sua maior parte, revelam estar em franca oposição aos que tereiam sido ministrado por Jesus. Um discípulo que não conhece os ensinamentos do seu mestre, um discípulo traidor e rebelde ou um falso discípulo de um mestre que não existiu?!
Antes de exporem suas opiniões em comentários, estima-se que cada debatedor responda à pesquisa incorporada à discussão, na qual só poderão votar uma única vez (permite-se a marcação máxima de duas opções que não se contradigam).
Boa discussão!

2 comentários:

Alfredo Bernacchi disse...

Um complexo sistema de informações, contra informações e desinformações, é o que resulta da busca da verdade sobre o personagem Paulo de Tarso. Nós, escritores contemporâneos, quando comentamos a respeito de um assunto com 2.000 anos de existência, certamente nos baseamos nessas informações. Todas as opiniões prós ou contras, baseiam-se nessas informações. E onde está a verdade então, se essas informações são tão diversas e controversas?
As minhas, como sempre, estão baseadas fortemente na lógica e no bom senso da minha avaliação. Quanto maior a cultura específica do avaliador, mais próximo da verdade ele estará, mesmo quando não encontre a verdade absoluta.
Outro fator de peso está na busca da autenticidade dessas informações, e é aí que, depois de matar a cobra, eu mostro o pau. Assim, não deixo muito espaço para o meu antagônico.
Eu tenho aqui o que chamarei de “a chave dessa questão”: Se as cartas de Paulo, digo, textos semelhantes, praticamente iguais a essas, foram encontradas entre os pergaminhos do Mar Morto, nas cavernas de Qumram, e elas existem documentadas em museus e ratificadas por seus exploradores ou tradutores, como John Allegro, por exemplo, fica evidente, que tal trabalho pertencia a eles. Se você observar que textos da Bíblia e até livros inteiros, como Marcos, Lucas e o Apocalipse foram encontrados da mesma forma, entre os essênios, a discussão ficará resumida ao seguinte:
Essênios foram Judeus dissidentes que fundaram o essenismo a partir de um mito chamado Chrestus, martirizado numa cruz em data semelhante a 450\300 a.C., um Messias cuja volta era esperada à semelhança de Jesus Cristo, pelos seus seguidores conhecidos como Cristãos, e a semelhança é tanta, que cogitam-se até que Jesus tenha sido ou convivido com os essênios. A lógica e o bom senso diz que o cristianismo foi copiado dos essênios, porque os essênios não poderiam ter copiado os dogmas do cristianismo, pois vieram antes!
Nada mais conclusivo que, estando as cartas ditas de Paulo, em situação semelhante, tenham sido também copiadas pelos cristãos primitivos. Como Paulo não foi um essênio, e não poderia ter escrito tais cartas 300 anos dele mesmo nascer a autoria dessas cartas foi de outra pessoa. Que pode, inclusive, ter sido conhecido como Paulo, ou Saulo, quem sabe? Desconheço. Portanto, mesmo que tenha existido um Paulo antes ou depois, não foi o que escreveu as “Cartas de Paulo” como conhecemos. Eu posso assim afirmar que Paulo, o que escreveu as epístolas paulinas, na época que dizem que elas foram escritas, e hoje constantes da Bíblia, não existiu. Trata-se de uma impostura, tão mitológica, quanto o seu autor.
Existe ainda uma vírgula, uma lacuna ou uma incógnita, que pode ser explorada pelos meus opositores. Dizem e há documentos que provam, que os essênios viveram entre os cristãos até o ano 68 e confundidos, mesmo que propositalmente, com os cristãos do conto sobre Jesus, até serem expulsos de Roma. Diriam que Paulo fora um essênio que viveu nessa época, e nessa época escreveu as Epístolas? O mesmo não teria conhecido o mito Jesus, como se deduz, porque o mesmo não existiu como gente! Questão de lógica. Uma alternativa viável para justificar a sua existência!... Entretanto, se avaliado o que ele escreveu em suas cartas, e o que a Bíblia escreveu sobre ele, afasta-se essa hipótese totalmente. Pelo menos, não foi a mesma pessoa. Se Paulo, já não está em sintonia com os cristãos de Jesus, muito menos em sintonia com os cristãos de Chrestus... Assim, poderíamos ter uma infinidade de Paulos, não é? Menos o que estamos procurando.

Alfredo Bernacchi

Ivo Reis disse...

Alfredo:
Grato por este seu inteligentíssimo comentário, que faz todo o sentido. Na verdade, este post tem muito pouco a dizer a mim e a você, que já temos nossas convicções firmadas. Mas torna-se necessário para abrir a discussão com aqueles que ainda duvidam, principalmente os que acreditam em tudo o que o NT diz sobre Paulo de Tarso. Abs!

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